Lembranças de infância que só fui entender anos depois

Todos sabem que as lembranças dos primeiros anos de vida, principalmente até por volta dos 5 anos, muitas vezes são apenas fragmentos.

Dessa fase, lembro que chegava para minha mãe dizendo que estava com “ânsia de vômito”. Na época, nem imaginava que aquilo poderia ser uma crise epiléptica.

Minha mãe relatava aos médicos o que eu sentia, mas os tratamentos eram voltados para problemas de estômago ou até mesmo para as famosas lombrigas, como se dizia antigamente.

Era o final dos anos 80. Nossa cidade era pequena, como continua sendo até hoje, e naquela época o acesso a especialistas era muito mais difícil. Além disso, situações como essa nem sempre eram investigadas ou encaminhadas como podem ser hoje.

Pelo pouco que consigo lembrar, depois desses episódios eu também passava algum tempo confuso. Mas, pela minha idade e pela forma como tudo acontecia, os adultos não percebiam que poderia ser algo além de um problema no estômago.

Foi somente aos 5 anos, quando tive minha primeira crise convulsiva generalizada, que começaram a investigar melhor o que estava acontecendo. Mesmo assim, os exames e o tratamento com medicamentos adequados ainda demorariam alguns anos para chegar.

Hoje, graças a Deus, ao desenvolvimento da medicina e à maior facilidade de acesso à informação, os pais têm mais possibilidades de perceber sinais diferentes desde os primeiros anos de vida e buscar uma investigação mais cedo.

Quando olho para trás, penso em como aquelas pequenas lembranças, que na época pareciam apenas problemas de estômago, já faziam parte de uma história que eu só entenderia muitos anos depois.

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