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Como saber se a cirurgia pode ser uma possibilidade?

Essa é uma pergunta que não dá para responder com um teste na internet.

Nem toda pessoa com epilepsia precisa de cirurgia.

Mas existem situações em que vale investigar essa possibilidade.

Quando os medicamentos não conseguem controlar as crises

Um dos principais motivos para considerar uma avaliação especializada é a continuidade das crises apesar de tratamentos adequados.

Existe inclusive uma definição médica para a chamada epilepsia resistente a medicamentos, também conhecida como epilepsia refratária.

De maneira simplificada, essa situação é considerada quando dois tratamentos adequadamente escolhidos, tolerados e utilizados não conseguem manter o controle das crises.

Mas isso não significa:

“Tentei vários remédios, então preciso operar.”

Significa que pode ter chegado o momento de uma avaliação mais especializada das possibilidades de tratamento.

Ter crises resistentes aos medicamentos significa que posso operar?

Também não automaticamente.

Depois disso, ainda é necessário entender melhor a epilepsia.

Onde as crises começam?

É possível identificar uma região relacionada a elas?

Uma intervenção nessa região poderia ser realizada com segurança?

Qual seria a possibilidade de benefício?

Quais são os riscos?

É justamente para responder perguntas como essas que existe a investigação cirúrgica.

E se eu não puder fazer uma cirurgia para retirar uma região?

Isso também não significa necessariamente que todas as possibilidades terminaram.

Existem outras formas de tratamento que podem ser consideradas em determinadas situações, incluindo técnicas de estimulação e outras estratégias especializadas.

Qual delas faz sentido depende das características de cada caso.

Preciso esperar muitos anos para falar sobre isso?

A avaliação especializada não obriga ninguém a operar.

Ela serve para entender quais opções existem quando as crises continuam apesar de tratamentos adequados.

Por isso, quando o controle não acontece como esperado, vale discutir com a equipe que acompanha o caso se existe necessidade de uma avaliação mais especializada.

A decisão não depende apenas dos exames

Mesmo quando os exames apontam uma possibilidade, ainda existem perguntas importantes.

Quais são os benefícios esperados?

Quais são os riscos?

Como isso pode afetar a vida da pessoa?

Quais alternativas existem?

A decisão precisa considerar essas informações em conjunto e ser discutida entre a pessoa e a equipe especializada, com participação da família quando isso for apropriado.

Em poucas palavras

A cirurgia pode ser uma possibilidade para algumas pessoas cujas crises continuam apesar de tratamentos adequados.

Mas continuar tendo crises não significa automaticamente ter indicação cirúrgica.

Primeiro vem a avaliação.

Ela existe para descobrir se uma intervenção pode ajudar, qual seria essa intervenção e se os possíveis benefícios fazem sentido diante dos riscos.

Fontes

  • International League Against Epilepsy (ILAE) — Definition of Drug-Resistant Epilepsy. Referência internacional para a definição de epilepsia resistente a medicamentos.
  • International League Against Epilepsy (ILAE) — Epilepsy Surgery. Informações sobre avaliação cirúrgica em pessoas com crises não controladas pelos medicamentos.
  • ILAE — Surgical Therapies Commission. Recomendações relacionadas ao momento do encaminhamento para avaliação cirúrgica.
  • Ministério da Saúde — PCDT Epilepsia. O protocolo brasileiro citado no texto-base inclui recomendações relacionadas ao tratamento cirúrgico.
  • Organização Mundial da Saúde — Epilepsy. Reconhece a cirurgia como uma possibilidade de tratamento em situações selecionadas.

Aviso editorial

Este conteúdo tem caráter informativo e busca ajudar na compreensão do tema abordado. Nenhuma informação do Além da Crise substitui avaliação, orientação, diagnóstico, tratamento ou acompanhamento de profissional de saúde qualificado.

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