Começar um tratamento e depois ter outra crise pode ser frustrante.
É natural pensar:
“Então o medicamento não está funcionando?”
Nem sempre a resposta é tão simples.
Continuar apresentando crises é uma informação importante, mas o que isso significa precisa ser avaliado junto com o profissional que acompanha você.
Uma crise depois de começar o tratamento não conta toda a história
Quando o tratamento começa, é importante observar o que acontece daí em diante.
As crises continuam iguais?
Ficaram menos frequentes?
Mudaram de alguma maneira?
Quanto tempo passou entre elas?
Esses detalhes podem ajudar o médico a entender como você está respondendo ao tratamento.
Por isso, em vez de apenas dizer “o remédio não funcionou”, pode ser muito mais útil contar exatamente o que aconteceu.
Isso não significa automaticamente que não existe tratamento
Esse é um ponto importante.
A Organização Mundial da Saúde estima que até cerca de 70% das pessoas com epilepsia poderiam ficar livres de crises quando adequadamente diagnosticadas e tratadas.
Ao mesmo tempo, isso significa que existe uma parcela de pessoas para quem o controle pode ser mais difícil.
Às vezes, o primeiro tratamento não produz o resultado esperado.
Isso não quer dizer que a pessoa deva desistir ou concluir sozinha que nada mais poderá ser feito.
Existem diferentes medicamentos e outras possibilidades de tratamento, mas decidir qual caminho faz sentido depende do tipo de epilepsia, das crises, da resposta aos tratamentos anteriores e de outras características individuais.
Não mude o medicamento por conta própria
Quando as crises continuam, pode surgir a vontade de fazer alguma coisa imediatamente: aumentar uma dose, diminuir, alterar o horário ou parar um medicamento que aparentemente “não resolveu”.
Essas mudanças não devem ser feitas por conta própria.
O tratamento precisa ser reavaliado pelo profissional que acompanha o caso.
Da mesma forma, se estiver difícil tomar o medicamento exatamente como foi orientado, vale falar sobre isso na consulta em vez de esconder a dificuldade.
E aquela expressão “epilepsia de difícil controle”?
Você talvez já tenha encontrado na internet termos como epilepsia resistente a medicamentos, farmacorresistente ou simplesmente epilepsia de difícil controle.
Mas continuar tendo crises enquanto usa um medicamento não significa automaticamente que você já se encaixa nessa situação.
A definição utilizada pela International League Against Epilepsy considera, de forma resumida, a falha de dois tratamentos adequadamente escolhidos, tolerados e utilizados sem conseguir manter o controle das crises.
Por isso, ter outra crise durante um tratamento não é suficiente para colocar esse rótulo em si mesmo.
O que posso fazer, então?
Uma coisa simples pode ajudar bastante: prestar atenção no que está acontecendo e levar essas informações para a consulta.
Você pode anotar:
- quando aconteceu a crise;
- aproximadamente quanto tempo durou;
- como ela aconteceu;
- se alguém presenciou;
- se percebeu alguma situação diferente naquele período.
Também vale contar se está tendo dificuldade com o tratamento ou se percebeu alguma coisa que esteja atrapalhando sua rotina.
Não é necessário usar termos médicos.
Dizer:
“Eu estava há dois meses sem crise e tive outra.”
pode ser muito mais útil do que tentar chegar à consulta com um diagnóstico encontrado na internet.
Continuar tendo crises não significa que o caminho terminou
Quando as crises continuam, é hora de reavaliar o caminho, e não de concluir sozinho que não existe outro caminho.
Para algumas pessoas, o controle acontece mais facilmente. Para outras, podem ser necessárias outras etapas.
Quando as crises realmente permanecem apesar de tratamentos adequados, existem situações em que outras possibilidades de tratamento podem começar a ser consideradas por equipes especializadas.
Isso pode incluir, em alguns casos, avaliação para tratamentos cirúrgicos ou outras abordagens.
Mas essa já é outra etapa da jornada.
Em poucas palavras
Ter uma crise durante o tratamento não permite concluir sozinho que o medicamento falhou ou que a epilepsia é resistente aos medicamentos.
O mais útil é observar o que aconteceu, levar essas informações para o acompanhamento e permitir que o tratamento seja reavaliado.
Se as crises continuarem ao longo do tempo apesar de tratamentos adequados, outras etapas de investigação e tratamento podem ser consideradas.
O importante é não fazer mudanças no medicamento por conta própria nem transformar uma nova crise em uma conclusão definitiva sobre o futuro do tratamento.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde — Epilepsy.
Informações gerais sobre tratamento e controle das crises na epilepsia. - International League Against Epilepsy — Drug-Resistant Epilepsy.
Referência sobre epilepsia resistente a medicamentos. - International League Against Epilepsy — definição de epilepsia resistente a medicamentos.
Aviso editorial
Este conteúdo tem caráter informativo e busca ajudar na compreensão do tema abordado. Nenhuma informação do Além da Crise substitui avaliação, orientação, diagnóstico, tratamento ou acompanhamento de profissional de saúde qualificado.
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