Tive uma primeira crise. E agora?

Ter uma primeira crise não significa automaticamente ter epilepsia. E nem todo episódio que parece uma crise é necessariamente uma crise epiléptica.

O mais importante é procurar avaliação médica para entender o que aconteceu, se existe alguma causa identificável e se será necessário investigar com exames ou acompanhamento.

Se uma crise convulsiva estiver acontecendo e durar mais de cinco minutos, ou se ocorrerem novas crises sem recuperação da consciência entre elas, é uma situação de urgência. No Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo 192.

Em poucas palavras

Depois de um episódio inesperado, é comum surgirem perguntas como:

Foi mesmo uma crise? Pode acontecer novamente? Isso significa que tenho epilepsia?

Nem sempre essas respostas aparecem imediatamente.

Uma crise epiléptica acontece por uma alteração temporária da atividade elétrica do cérebro. Ela pode provocar movimentos involuntários, mas também alterações de consciência, sensações, percepção ou comportamento.

Por isso, nem toda crise epiléptica parece uma convulsão.

Ao mesmo tempo, desmaios e outras condições podem produzir episódios parecidos. É justamente por isso que a avaliação médica e a descrição do que aconteceu são tão importantes.

Uma crise significa epilepsia?

Não necessariamente.

Uma crise é um evento. Epilepsia é uma condição na qual existe predisposição para apresentar crises epilépticas recorrentes.

Em algumas situações, o diagnóstico pode ser feito depois de uma única crise quando a investigação mostra risco elevado de novas crises. Em outras, uma crise isolada não significa epilepsia.

Por isso, não existe uma regra simples como “teve uma crise, então tem epilepsia”.

O que fazer depois de uma primeira crise?

Mesmo que a pessoa tenha se recuperado completamente, uma primeira crise suspeita merece avaliação médica.

Algumas informações podem ajudar bastante:

  • aproximadamente quanto tempo o episódio durou;
  • o que estava acontecendo antes;
  • o que a pessoa lembra;
  • o que alguém que presenciou percebeu;
  • como foi a recuperação;
  • se havia febre, doença recente ou algum outro acontecimento diferente;
  • quais medicamentos estavam sendo utilizados.

Quem presenciou pode lembrar de detalhes que a própria pessoa não consegue recordar.

Se existir um vídeo feito espontaneamente e em segurança, ele também pode ser útil para o profissional.

Durante uma crise, porém, proteger a pessoa é mais importante do que filmar.

Se uma crise estiver acontecendo

Durante uma crise convulsiva:

  • afaste objetos que possam machucar;
  • proteja a cabeça;
  • observe quanto tempo está durando;
  • não tente segurar os movimentos;
  • não coloque objetos, dedos, líquidos ou medicamentos na boca.

A pessoa não engole a própria língua durante uma convulsão.

Procure atendimento de urgência especialmente se a crise convulsiva ultrapassar cinco minutos, se outras crises acontecerem sem recuperação completa da consciência ou se houver uma situação preocupante, como trauma importante ou recuperação muito diferente do habitual.

O que acontece depois?

Dependendo do episódio, o profissional pode solicitar exames como:

  • exames de sangue;
  • eletroencefalograma, o EEG, que registra a atividade elétrica cerebral;
  • exames de imagem, como ressonância magnética.

Nem todo mundo fará os mesmos exames.

E um detalhe importante: um EEG normal não exclui epilepsia. Ele é apenas uma das peças da investigação.

Teremos conteúdos separados explicando cada exame sem excesso de termos técnicos.

Traduzindo para a vida real

A investigação pode ser vista como um quebra-cabeça.

Uma peça é aquilo que você lembra. Outra é o relato de quem estava presente. Os exames podem acrescentar novas informações.

Às vezes a resposta aparece rapidamente. Em outras situações, é preciso acompanhar e reunir mais informações antes de chegar a uma conclusão.

Isso faz parte da própria investigação.

O que conversar com o profissional

Algumas perguntas podem ajudar:

  • O episódio pode ter outra explicação além de uma crise epiléptica?
  • Existe alguma possível causa para o que aconteceu?
  • Quais exames fazem sentido no meu caso?
  • Qual é o risco de acontecer novamente?
  • Há algum cuidado temporário que devo ter?
  • Se ocorrer outra crise, quando devo procurar atendimento de urgência?

Perguntas frequentes

Preciso começar medicamento depois da primeira crise?

Não necessariamente. A decisão depende do que aconteceu, da possível causa, dos exames e do risco de novas crises. Isso precisa ser avaliado individualmente.

Meu EEG veio normal. Então não tenho epilepsia?

Não. Um EEG normal, sozinho, não exclui epilepsia.

Um desmaio pode parecer uma crise?

Pode. Algumas situações podem produzir perda de consciência ou movimentos que confundem quem presencia. Por isso a avaliação do episódio completo é importante.

Fontes

  • Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Epilepsia.
  • Ministério da Saúde — protocolos de encaminhamento para Neurologia e orientações do SAMU 192.
  • Liga Brasileira de Epilepsia — Epilepsia Prática: Condutas para não especialistas, 2024.
  • International League Against Epilepsy — definição clínica prática de epilepsia.
  • NICE — Epilepsies in children, young people and adults, NG217.
  • Associação Brasileira de Epilepsia — materiais de diagnóstico e primeiros socorros.

Aviso editorial

Este conteúdo tem caráter informativo e busca ajudar na compreensão do tema abordado. Nenhuma informação do Além da Crise substitui avaliação, orientação, diagnóstico, tratamento ou acompanhamento de profissional de saúde qualificado.

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